Real Madrid escancarou o abismo entre Europa e América Latina

Deu a lógica (esta é original).

O Real Madrid é um time formado por jogadores titulares das mais poderosas seleções do mundo. Sem contar o banco de luxo, de onde a qualquer momento sai um sujeito como o Bale.

Não vou fazer comparação com o grupo do Grêmio, que chegou ao seu limite: um vice-campeonato mundial. Uma derrota por 1 a 0 na final contra essa seleção galática, que escancarou o abismo entre o futebol europeu e o sul-americano.

Há quem diga que com Arthur seria diferente. Talvez fosse um pouco melhor. Se tivesse o Pedro Rocha (negociado porque o Grêmio não é o Real Madrid), já ficaria outro tanto melhor. E aí então talvez o Grêmio criasse mais, exigisse do goleiro ao menos uma vez. Enfim, desse alguns sustos em Cristiano Ronaldo e seus companheiros.

Por momentos esse Grêmio forjado na superação até chegou a criar algumas jogadas com algum perigo. Mas faltou acabamento.

Mas nada comparado ao que o Real criou. Marcelo Grohe, de novo, foi salvador. Fez umas três ou quatro defesas das mais difíceis.

No gol que sofreu, a bola passou porque a barreira se abriu. Lucas Barrios, o omisso, foi determinante nesse lance, porque ele ficou de lado vendo a bola passar. Se ficasse imóvel, o gol não teria saído.

É claro que o Real Madrid faria outro gol de forçasse mais, se não trocasse tantos passes em vez de concluir. Então, na minha opinião, o Grêmio não escaparia mesmo de uma derrota.

No finalzinho, estava eu ali, e acho que vocês todos, torcendo por um golzinho que levasse à prorrogação. Mas alguém acredita que o Grêmio, nesse caso, nos 30 minutos seguintes, conseguiria neutralizar essa máquina de jogar futebol?

O não-gol abreviou o sofrimento e a angústia, mas impediu, por outro lado, que o show espanhol continuasse, para deleite de grande parte do público. Porque o RM não jogou, deu show.

Fora isso, algumas individualidades superiores do time não foram bem. Mas não foram bem por si mesmas ou porque cada jogador do RM é diferenciado e com jogador assim é sempre mais complicado jogar?

Vou destacar algumas atuações, e isso não significa que os outros sucumbiram, não, eles apenas não conseguiram mostrar tudo o que podem em função da enorme qualidade do adversário.

Destaco:em primeiro lugar o Marcelo Grohe. Logo depois, Geromel e Kennemann; Jaílson aparece numa terceira linha. E é só.

Os demais não chegaram a fracassar, apenas estiveram abaixo do que podem jogar e já jogaram. Nem é por culpa deles, e sim, repito, pela categoria individual e coletiva do time espanhol, que é na verdade um conglomerado planetário de talentos.

Mas valeu. O Grêmio chegou ao topo depois de mais de duas décadas. E isso não é pouco. Ao contrário, é uma conquista que deve ser comemorada por todos os gremistas.

Para completar, o que mais me irritou foi ver o Grêmio, nos minutos derradeiros, trocando bola na frente, sendo que Jael havia entrado justamente para esse momento do sufoco, do abafa, do desespero. Em vez de lançar bola na área, tocavam a bola até armar um contra-ataque. Isso foi profundamente irritante. Provavelmente não daria em nada, mas ao menos a bola estaria mais perto de entrar.

Finalizando: no meu penúltimo comentário escrevi que o Grêmio só seria campeão se jogasse sua melhor partida e o Real Madrid a sua pior. Isso esteve longe de acontecer.

Foguetório

Sobre o foguetório que sacudiu Porto Alegre o, acredito, muitas cidades gaúchas, depois do apito final, era de se esperar: os colorados estavam estocando milhões de foguete há horas.

Agora, só falta a mídia dizer que o Inter termina o ano por cima. Podem rir, mas não duvidem, não subestimem esse pessoal da agenda positiva.

Reaprendendo a torcer numa decisão de Mundial

Nos meus tempos de Caldas Júnior, um colega costuma sumir quando o Inter tinha um jogo importante à noite. Era um mistério. Ele se ausentava da redação por uns 30 minutos, uma hora.

Um dia outro colega flagrou nosso amigo saindo do carro. Ele confessou que  precisava se isolar para ouvir o jogo.

Eu, ao contrário, ficava na redação fazendo a ‘escuta’ do jogo para depois escrever para o jornal do dia seguinte. Sempre foi assim, apesar do agito da redação, as conversas paralelas, etc. Eu conseguia me concentrar, mesmo que fosse um jogo decisivo do Grêmio.

Eu erguia muros em meu entorno. Hoje, sem a responsabilidade de descrever e analisar um jogo com total isenção, percebo que o muro desmoronou, que já não posso assistir/ouvir algum jogo decisivo do Grêmio cercado de outras pessoas.

Se antes eu me isolava em meio ao tumulto de uma redação, hoje eu preciso mesmo ficar sozinho de fato. Fico mais à vontade para analisar e torcer, mas até na torcida sou comedido.

Antes, eu precisava sufocar minha emoção. Hoje, não mais, mas ainda não me acostumei com isso. Tenho dificuldade, por exemplo, de abraçar alguém estranho na comemoração de um gol.

Aos poucos, estou aprendendo a ser torcedor. Na vitória sobre o Pachuca, gritei gol no lance do Éverton e senti a emoção fluir em forma de lágrimas. E foi só. Mas já foi um avanço. É como se eu estivesse reaprendendo a andar.

Hoje, contra o Real Madrid, espero voltar ao meu tempo de torcedor de arquibancada no Olímpico, sol na cara nas tardes de domingo dos anos 70, e poder vibrar e comemorar sem culpas, sem medos, sem bloqueios, os gols do Grêmio na vitória sobre o poderoso clube espanhol.

Sim, eu acredito na vitória e no título. O Grêmio não chegou até aqui para voltar sem o seu segundo mundial. Não mesmo!

GRENAL

Hoje à tarde, por razões profissionais, fui à sede do grupo Pampa. Acabei entrando no programa que o Rogério Bolke apresentava, acompanhado do Darci Filho e do Lacerda. Rogério e Darci são velhos conhecidos, grandes nomes do rádio. Lacerda, é uma revelação.

A rádio Grenal é um sucesso, está balançando as estruturas do rádio esportivo. Tem uma gurizada muito boa ao lado de veteranos talentosos. Os programas mesclam informação com brincadeiras, revelações de bastidores, muito humor. O pessoal mais novo pega no pé dos mais experientes e vice-versa. Tudo muito descontraído. Sou ouvinte.

Grêmio, ‘zebra’ sim, mas com camisa de peso e tradição

Só tem um jeito de vencer o Real Madrid e suas estrelas: que tudo dê certo para o Grêmio. E tudo muito errado para Cristiano Ronaldo e seus companheiros.

Quer dizer, uma missão quase impossível. Mas o futebol não é basquete, onde raramente David derruba Golias. Normalmente, o gigante esmaga seu oponente atrevido.

Mas as zebras estão aí, soltas e sempre dispostas a aprontar.

Sim, não resta dúvida que o Grêmio, na disputa com poderoso clube espanhol, é a zebra.

Assim como o Mazembe, clube responsável por uma das maiores alegrias que tive na vida esportiva, era zebrão contra o Inter em 2010 e acabou vencendo.

(A propósito, tenho uma página no face em comemoração a essa data tão especial, a mazembe day, com dez mil seguidores, muitos deles torcedores do Mazembe)

Voltando ao assunto:

a diferença é que o Grêmio é o Grêmio, como já dizia o saudoso presidente Hélio Dourado, meio que engolindo o érre.

O Grêmio tem história, tem tradição, tem uma camisa que pesa, que se impõe, e por vezes intimida. Não é um Mazembe da vida.

Então, se o Real Madrid facilitar, marcar com frouxidão como fez contra o Al Jazira, estará correndo sério risco, mesmo que o Grêmio tenha problema com seus dois centroavantes: um que parece ter esquecido seu futebol e outro que dificilmente marca gol, e que quando marca é anulado. Sacanagem pura.

A dúvida é quem começa: Lucas Barrios ou Jael. Jael tem futebol mais tosco, mas é mais vibrante, mais forte, mais comprometido.

Barrios caiu de rendimento faz tempo. Perdeu aquele imperdível contra o Cruzeiro na final da Copa do Brasil. Não está jogando bem, está devendo. Mas como é um jogador de muito potencial técnico, quem sabe ele não desencanta na final?

O fato é que o Grêmio vai precisar de todos os seus jogadores atuando a 110% com um nível de acerto de passes, desarmes, conclusões acima da média.

Nesse aspecto, do time titular, somente Lucas Barrios e Michel estão devendo futebol. O primeiro talvez por algum problema físico ou desânimo por não ter seu contrato renovado até agora; o segundo, porque vem de uma cirurgia e ainda não está no seu ritmo de jogo normal.

Há dúvida sobre quem começa o jogo. Se Barrios não tiver nenhum problema maior, defendo que ele comece. Prefiro deixar Jael para pegar um adversário mais cansado.

No mais, não tenho nenhuma dúvida de que Renato fará o melhor para o Grêmio. Eu, como chapa branca assumido, estou com o treinador, que saberá preparar seu time para superar essa potência do futebol.

RW

As camisas contra a IVI:

http://cornetadorw.blogspot.com.br/2017/12/camisetas-anti-ivi.html

 

Time grande não cai… Na semifinal do Mundial

O que eu mais temia não aconteceu. Mais do que feliz, estou aliviado.

Conforme previsto, o Grêmio venceu, superou o fantasma da semifinal, e agora decide o título mundial.

Não morreu de véspera, minha maior preocupação – sei que preocupação também de muita gente – era cair nessa fase diante do Pachuca.

Imagino que os colorados, além de milhões de foguetes que eles estão estocando faz horas, lançariam logo após o jogo uma série interminável de brincadeiras nas redes sociais, tentando devolver tudo o que eles passaram depois do fiasco mundial de ser eliminado pelo glorioso Mazembe.

Sem contar que seria o fim da minha Mazembier.

Mas continua tudo como antes. O mazembaço não virou pachucaço.

Time grande não cai… Na semifinal do Mundial de Clubes!

Pois o Grêmio foi grande, foi valente, e o adversário valorizou a vitória. Muito diferente daquele time confuso que penou para bater o Casablanca, e que me fez prever uma vitória até certo ponto tranquila.

Realmente, não se pode nunca esperar vitórias tranquilas em mata-mata.

Sobre o jogo, destaque para todo o time, com exceção de Lucas Barrios. Quando Jael entra e joga muito mais do que aquele que sai é porque Barrios realmente está devendo futebol. Não esforço, futebol.

Agora, uns ainda se sobressaíram. Grohe foi impecável, seguro, sereno, perfeito. Fez uma grande defesa e várias intervenções difíceis pelo alto. Parece que os braços do motorista de kombi cresceram, não sei, um fenômeno que deixo aos críticos do goleiro explicarem.

Geromel foi um gigante. Demais, demais. Agora, a vitória passa pelos pés de um jogador que Renato foi buscar, apostou nele e o resultado é esse aí: ele evitou dois gols do Honda, aparecendo no momento exato para afastar o perigo: Bruno Cortês. Meus agradecimentos.

No meio de campo, muita bravura, muita luta, muita entrega. Todos num nível bom, mas inferior ao que já jogou. Arthur fez falta, e Michel sentiu falta de ritmo, mesmo assim deu conta do recado.

Na frente, Luan demorou a entrar no jogo. Foi melhorando gradativamente, e atingiu alto nível quando Éverton e Jael já estavam em campo. E ainda mais quando Léo Moura entrou e deu uma qualificada no toque de bola. Edílson havia cansado. Mas desconfio que Léo entraria de qualquer jeito.

E o que dizer do cebolinha? Éverton entrou e deu um calor nos mexicanos. O bom é que Renato tirou Michel para ele entrar, mostrando que queria decidir o jogo com a bola rolando, não nos pênaltis. E a aposta deu certo. Fernandinho passou para o lado direito e Éverton entrou na dele. Tínhamos os dois para dar o corte pra dentro e bater.

Quem acertou foi Éverton. Fez sua jogada tradicional e foi muito feliz na conclusão. Na hora, eu que já temia uma decisão nos pênaltis, gritei a única palavra que cabia naquele momento de angústia e tensão:

Gooool! E aí minha voz ficou embargada e lágrimas rolaram.

Putaqueopariu, como é bom ser gremista!

RENATO

Sobre o treinador que alguns neófitos diziam não ser treinador, porque não anda com livros debaixo do braço ou algo assim, nada a declarar.

Só a repetir que o Conselho Deliberativo tricolor já marcou reunião para decidir sobre o busto de São Portaluppi na Arena. Se o Grêmio for campeão do Mundial vamos iniciar um processo da canonização.

 

 

Decisão de Mundial de clubes: curtam este momento

Participar de uma decisão de Mundial é um momento raro na história de qualquer clube.

Quem está vivendo essa emoção pela primeira vez deve aproveitar cada segundo, cada minuto, cada volta do ponteiro das horas.

Sabe-se lá quando essa situação se repetirá. No caso do Grêmio, foram necessários 22 anos desde a segunda participação, em 1995, quando o título escapou por causa de uma decisão estapafúrdia do juiz (expulsão de Rivarola por causa das imagens do telão) e depois em função dos pênaltis desperdiçados por Arce e Dinho, exímios batedores.

Do primeiro Mundial, em 1983, para o segundo, o intervalo entre um e outro foi menor, 12 anos.

Bem, só por aí se percebe que realmente este é um momento único para a nação gremista, que busca o bi do Mundial – como destaquei acima, seria o tri. O título caiu no colo do Ajax.

Desculpem se insisto nisso. É que a ferida, apesar de tanto tempo, não cicatrizou. Continua a mágoa, o rancor, o ressentimento.

Muitos gremistas não passaram por esse trauma. Menor quantidade ainda padeceu no inferno que foram os anos 70 – com exceção do glorioso 1977, que até virou livro, excelente por sinal.

Tudo isso pra dizer que eu sou um cascudo. Sobrevivi aos três títulos nacionais do Inter. Confesso que até hoje tenho pesadelo com o Valdomiro cruzando e o Escurinho marcando de cabeça no último minuto.

Sim, sou um traumatizado. Mas tive a felicidade de viver e saborear cada minuto da vitória sobre o Hamburgo, não plenamente porque estava trabalhando para escrever sobre a decisão para a revista Goool, do Aveline.

Em 95, torci na redação do Correio do Povo. Se na primeira vez estava acompanhado de um grupo de gremistas, na segunda tive de aguentar a secação dos colegas vermelhos.

Importante frisar que quando a gente acompanha um jogo a trabalho o envolvimento emocional é menor, no meu caso quase zero.

Depois, sim, a gente explode, ri ou chora, coloca a emoção contida, reprimida, pra fora. Normalmente num boteco de cerveja barata e sanduíche de lombo. Ou de mortandela, como dizia um velho um amigo meu.

Enquanto escrevo essas linhas apressadas – uma forma de reduzir a tensão da expectativa do jogo desta tarde contra o Pachuca -, recuando um pouco no tempo, não posso deixar de lembrar de dois velhos colegas da Folha da Tarde, o Luís Fernando Flores e o Fernando Goulart. Ambos se foram deste mundo nos últimos dias. Profissionais corretos, sérios, como quase não se vê.

Antes que as lágrimas se avolumem, volto ao início: curtam cada momento dessa decisão, porque a próxima só Deus sabe quando virá (além do mais pensem nos milhões de torcedores de outros clubes que gostariam de estar no lugar do Grêmio agora).

Eu, provavelmente, estarei ao lado do Flores e do Fernando, bebendo umas e jogando conversa fora. Eu, claro, com a camisa do Grêmio, como nesta tarde quando estarei torcendo pela vitória.

Se os deuses do futebol forem justos irão compensar o Grêmio pelo que aconteceu em 1995.

 

Respeito ao Pachuca, mas nunca reverência

O Pachuca deve ser respeitado. A maneira mais fácil de ser derrotado é subestimar o adversário.

Ainda mais quando se trata de uma decisão, um campeonato que se decide em 90 minutos. É quando o time com menor poder de fogo pode surpreender e cometer o crime. Um crime sem volta. Não é por nada um que jogo desse tipo é conhecido por mata-mata. Morreu, morreu.

É fazer a mala, enfiar o rabo entre as pernas, e fazer como o Inter naquele vexame de 2010 diante do Mazembe, que inspirou a minha Mazembier.

Então, assim como o Pachuca pode vencer o Grêmio num dia dos mais iluminados de sua história, o mesmo pode acontecer numa suposta final com o Grêmio batendo o Real Madrid.

A lógica é que o Grêmio vença o time mexicano com seu goleiro de futebol de mesa: 1,72 de altura. Penso até que vence com alguma facilidade. A não ser que o Pachuca tenha mais jogo para mostrar do que esse exibido neste sábado diante do Casablanca.

Acredito que o Pachuca é mesmo só o que mostrou. Faz uma campanha sofrível no campeonato mexicano. No Brasileirão, estaria flertando com o rebaixamento.

Assim, vejo o Grêmio virtualmente na final contra o time de Cristiano Ronaldo. Não consigo imaginar o Pachuca lá, não consigo. Nem com muito esforço de imaginação.

Mas, repito, nesses 90 minutos decisivos é preciso enfrentar  o Pachuca com respeito, muito respeito e seriedade, mas nunca reverência.

TRI DA AMÉRICA, PORQUE ESTA TERRA TEM DONO

Reserve logo sua cerveja. Estoque muito limitado, mesmo.

Depois não vem chorar como torcedor colorado quando caiu pra segundona.

TRI da América, a cerveja mais pedida

Demorou, mas a cerveja comemorativa ao TRI da Libertadores está prontinha para ser degustada e depois, garrafa vazia, repousar como um troféu.

Na verdade, eu estava em dúvida sobre lançar ou não mais uma ‘cerveja campeã’, ou ‘cerveja do Grêmio’.

Desde o lançamento da Cerveja 1983, em 2010 – vieram depois a Olímpico, a 1903 e a PENTA -, eu sempre pensei que poderia ter a parceria e o respaldo do clube, mas há obstáculos contratuais. Uma multinacional do setor cervejeiro, segundo fui informado pelo marketing do clube tempos atrás, tem exclusividade no Grêmio na área do líquido dourado.

Então, fiquei meio desanimado. Mas continuei com o projeto, até porque sempre aparece alguém entrando em contato para pedir as cervejas. Para atender essa demanda normalmente tenho um pequeno estoque.

Bem, a cerveja do Tri não iria sair. Mas foram tantos os pedidos que decidi lançar mais uma marca destinada aos gremistas. Seria uma pena, também, deixar em branco conquista que nos enche de alegria e de orgulho.

Por isso, aí está a TRI DA AMÉRICA – nome mais original impossível. Uma cerveja tipo Lager, natural, perfeita para o paladar gremista, amarga para os colorados.

Bem, quem tiver interesse é só entrar em contato comigo ou com a Cevagol – cervejas especiais (www.cevagol.com.br).

Informo, e não é conversa de vendedor, que tenho apenas umas cinco dúzias da TRI. Depois, só com reserva.

O criador do rótulo da TRI é o gremistão Ricardo Groisman Lopes, designer gráfico. Destaque para a frase do lendário Sepé Tiaraju: esta terra tem dono. Sim, é o Grêmio.

Lupicínio e a inveja que paira no ar

O Grêmio fez uma despedida discreta, sem ufanismo, nem oba-oba. Muito diferente da que o Inter fez em 2010.

Foi no dia 8 de dezembro. Quase 30 mil pessoas no Beira-Rio. Aí, o capitão Bolívar pega o microfone, impregnado de soberba, e dispara:

“Podem ter certeza que vamos fazer o melhor e podem ter certeza que no dia 20 estaremos aqui comemorando bi mundial”.

Nunca me esqueci dessa despedida. Muito divertido tudo isso.

O Grêmio faz diferente, talvez até tomando essa atitude colorada como lição. Nada de pensar no Real Madrid. Antes de chegar à final, é preciso superar um obstáculo.

Fora isso, é preciso ficar atento ao comportamento de boa parte da imprensa gaudéria. A maioria só fala no Real Madrid, no Cristiano Ronaldo, etc. Como se não tivesse nenhuma pedra no meio do caminho.

Esse tipo de coisa vai envolvendo o jogador, é difícil não projetar um jogo contra o fabuloso Real Madrid, ainda mais com esse “incentivo amigo”.

O importante é que Renato, que já levou umas rasteiras na vida, conhece a cabeça de seus comandados, e saberá administrar essa situação.

Agora, é impressionante o que ando lendo e ouvindo. O Real Madrid, segundo um e outro ‘especialista isento’, chegou ao fundo do poço (juro, eu li isso, só não lembro onde, acho que foi o Denardin), não é mais aquele, dando a entender que não será difícil vencer o time espanhol.

Viram? sempre o Real, nunca o Pachuca ou o Casablanca, adversários de respeito, superiores ao Mazembe, principalmente o time mexicano.

Agora, o que move certos jornalistas? Tem aqueles colorados que todos conhecem – e eles já sabem que não enganam mais ninguém – e os gremistas que o cornetadorw chama de ‘justinos’.

Parte deles não disfarça que está secando, embora tentem disfarçar que um título mundial ‘fará bem ao futebol gaúcho’, ‘valoriza nosso trabalho’, etc. Uma conversinha pra boi dormir.

Eu sequei o Inter e trabalhava na imprensa. Mas sempre que escrevia o fazia mantendo neutralidade.

Hoje, quando leio e ouço algumas pessoas – a inveja é grande – lembro na hora do Lupicínio com a sua Nervos de Aço:

“Eu não sei se o que trago no peito. É ciúme, é despeito, amizade ou horror”.

Fico imaginando a dor profunda que eles irão sentir se o Grêmio for campeão do mundo de novo.

Será bonito de se ver. Lágrimas e ranger de dentes…

CARTOLA

Parabéns ao vencedor da Liga Boteco do Ilgo: “GRÊMIO 1903 FC”. Entre em contato pelo Twitter ou por e-mail contato@cevagol.com.br para receber o prêmio. O segundo colocado, “O Jejum Virou F.C.” também tem direito a um prêmio, basta entrar em contato.

 

A ‘gurizada medonha’ do Grêmio

Enquanto via, espantado, o time C do Grêmio dar um calor nos titulares do Atlético Mineiro, no estádio Independência completamente lotado, não pude deixar de lembrar do ‘gurizada medonha’.

Quem transitou pela Rua da Praia, nas imediações da rua Uruguai, ali pelos anos 90 e 2000, deve ter deparado com um vendedor de bilhetes com voz de tenor, rosto sofrido, ao lado de um menino com múltiplas dificuldades, numa precária cadeira de rodas.

“Gurizada Medonha”, gritava o vendedor – já falecido se não me engano – para chamar atenção e vender seu produto ou ganhar uma esmola.

Não encontro melhor expressão para definir esse bravo time de jovens do que esse bordão.

Foi uma gurizada medonha tricolor que deu um susto nas estrelas do time mineiro. Foi lindo de ver Robinho e Fred correndo como loucos e nos minutos finais se esgarçando para garantir a vitória por 4 a 3. Um resultado, injusto, festejado como título pelos experientes jogadores do Atlético e sua torcida, que foi ao jogo pensando que veria uma goleada tranquila e acabou sofrendo até o apito final.

Na verdade, o time gremista surpreendeu a todos, inclusive sua própria torcida. Quando vi a escalação do Atlético e a do Grêmio só pensei numa coisa: tomara que não seja por mais de 3 gols a derrota.

Bastaram alguns minutos para começar a mudar de ideia. A gurizada gremista mostrou que é medonha. Saiu três vezes na frente do placar, algo inimaginável, coisa de atordoar o técnico Osvaldo Oliveira, que antes do jogo lamentava que o Grêmio fosse obrigado a improvisar tanto em função de sua situação pré-mundial. Osvaldo, é claro, previa uma vitória fácil, serena, sem sobressaltos.

Bem, vamos ao que interessa: quem teria condições de dentro de alguns meses disputar posição no time titular?

Hoje, ainda sob efeitos da atuação impressionante da gurizada, um time inexperiente que mostrou entrosamento difícil de entender num time que fazia sua primeira apresentação no Brasileirão, eu devolveria a pergunta com outra: quem ficaria de fora?

Sem titubear, apenas o goleiro Bruno Grassi, justo o mais experiente. Ele começou muito bem, mas acabou levando dois gols de falta. O segundo foi de muito longe. Está certo, foi uma bola batida pelo Otero, cobra muito bem, e a bola fez uma curva a poucos metros do Bruno. Mesmo assim, inaceitável.

Logo depois, o Atlético teve um jogador expulso, as luzes do estádio se apagaram. Quando o jogo recomeçou, após uns 10 minutos, a gurizada tricolor foi pra cima e encurralou Fred e cia. Tentaram intimidar os jovens na base da porrada e dedo na cara. Sem efeito.

A lamentar que o craque do jogo, Jean Pyerre, 19 anos, tenha saído por lesão ou cãibra. Com ele em campo para articular as jogadas, o que acabou faltando, o Grêmio poderia ter vencido. Um Grêmio que mostrou em vários momentos no jogo um futebol tão envolvente quanto o dos titulares, evidenciando que aí tem a mão do mestre Renato Portaluppi.

DESTAQUES

Bem, Jean Pyerre abre a minha de lista de destaques, ele que ao lado de Patrick já vinha despontando. Penso que ele Renato deve levá-lo para o mundial.

Num nível logo abaixo colocaria Pepê, um atacante rápido e atrevido. Depois, o atacante  Dionathã, os volantes Balbino e Machado, a zaga Ruan e Emanuel (quase não deixaram o guru dos aipinistas jogar) e o lateral Conrado.

Claro, que o futebol nesta fase é um funil apertado. Poucos passam para o time principal e se destacam.

Mas o fato é que essa geração é muito boa, ao contrário do que parecia. Como dizia o narrador do jogo pela TV, é uma meninada que dá muita esperança e que neste domingo deixou orgulhosa a torcida gremista.

 

 

 

É bom demais ser gremista

Orgulho de ser TRICAMPEÃO da América dando show de futebol;

Orgulho de vencer os dois jogos da etapa final da Libertadores sem abdicar nunca de atacar, mantendo ao máximo seu padrão de jogo;

Orgulho de ver o Grêmio recebendo os maiores elogios da crônica esportiva do centro do país, que utilizou adjetivos como ‘impecável’ para definir o futebol que o time praticou durante a maior parte do tempo no estádio do Lanus, onde o dono da casa é quase imbatível;

Orgulho de ver um ex-atacante do nível de Casagrande confessar que gostaria muito de jogar nesse Grêmio atual;

Orgulho de vencer quatro dos sete jogos fora de casa na Libertadores, mostrando que é possível ser vitorioso em qualquer competição sem precisar armar retrancas e ficar dependendo de uma jogada para vencer;

Orgulho de pertencer a uma torcida que muito antes de o jogo começar já lotava a Goethe, território desbravado pelo Grêmio que hoje foi retomado de maneira grandiosa;

Orgulho de ver a majestosa Arena sendo tomada por mais de 30 mil torcedores numa noite em que o time jogava em outro local, mostrando sua paixão e sua fé em Renato e seus comandados;

Orgulho de torcer por um treinador que em pouco mais de um ano fulminou com todas as desconfianças em relação ao seu potencial, armando um time forte e organizado para conquistar uma Copa do Brasil e uma Libertadores da América, tendo a humildade de manter a base herdada de Roger Machado;

Orgulho de torcer por um treinador que é o único no país a ser campeão da Libertadores tanto como técnico como na condição de jogador;

Orgulho de torcer por dirigentes que souberam estruturar e planejar o clube, em meio à críticas e questionamentos, para atingir o objetivo maior na temporada, que é a Libertadores;

Orgulho de torcer por um time formado por cidadãos, profissionais sérios, que colocaram os interesses do coletivo acima do individual, o que acabou sendo decisivo para a conquista do Tri da América;

Orgulho de torcer por jogadores considerados por alguns torcedores como insuficientes para defender o time, como aconteceu com Marcelo Grohe, Jaílson e Fernandinho, só para ficar em três nomes que se destacaram neste jogo histórico contra o Lanus;

Orgulho de torcer por um time que tem jogadores como Luan, autor de um gol antológico, e eleito o melhor da competição, e Arthur, escolhido o melhor em campo, mesmo tendo de sair mais cedo por motivo de lesão;

Enfim, são muitos os motivos para sentir orgulho nesta noite mágica, de emoção, de lágrimas e de euforia.

Mas tudo pode ser resumido numa frase:

É bom demais ser gremista.